Resenha: Revista Combate 26

Por Edgar Indalecio Smaniotto

Figura: Capa Revista Combate nº 26.  Arte de: Ignácio Justo. Reprodução – Biblioteca pessoal do autor.

Hoje é comum associar histórias em quadrinhos aos populares super-heróis ou personagens infantis, entretanto, nos anos sessenta e setenta, parte considerável do mercado de quadrinhos era dominado por gêneros quase desaparecidos das bancas hoje: Faroeste, Terror e Guerra. Entre as revistas de guerra, a Combate, publicada pela Editora Taíka era uma das melhores, a começar pelas primorosas capas pintadas (possivelmente óleo sobre tela); a pesquisa feita pelos autores das histórias e o fato de ser uma publicação brasileira (com roteiristas e desenhistas brasileiros).

A primeira história deste número é “As Pequenas P.T.” – letras de Maria G. Maldonado e assinatura de Shalatiel de Holanda no terceiro quadradinho –  é um documentário em quadrinhos sobre a importância das “Lanchas P.T.”, no cenário do pacífico, em que enfrentavam a marinha japonesa. Utilizando seus mortais torpedos, essas pequenas lanchas – muitas vezes construídas com madeira – podiam colocar a pique navios muito maiores. Também eram utilizadas em missões de reconhecimento, transporte, comunicações, entre outras.

Figura: Torpedeiro norte-americano PT 105 – 1942. Fonte: Wikipédia.

Figura: Lancha P.T. em ação. Revista Combate nº 26. Reprodução – Biblioteca pessoal do autor.

“Onde vão os mortos ‘Senhor’…? Onde Vão?” –  texto de Luis Merí, layout de Colonnese e Arte de R. Cordeiro –  uma comovente história em que uma escritora e poeta, agora enfermeira na II Guerra Mundial, precisa enfrentar o desespero e a solidão após ser a única sobrevivente de um ataque nazista.

“VIETCONG” – texto e desenhos de Ingo Passold –No decorrer da guerra do Vietnam um soldado americano se vê confrontado com um inesperado inimigo. Uma história que coloca em discussão uma questão ainda problemática em nossa época: a utilização de crianças em guerras.

“Os Monstros de Aço!” – texto de Francisco de Assis e desenhos de José Luiz – em pleno deserto Líbio, no ano de 1941, os britânicos utilizando tanques M3 ligeiros de fabricação americana enfrentam divisões Panzer comandadas por Rommel.

Figura: Tanques M3. Revista Combate nº 26. Reprodução – Biblioteca pessoal do autor.

“Operação Suicida” – sem identificação dos autores –nessa história futurista, um submarino atômico está em uma missão de espionagem, quando entra em combate contra as defesas da nação inimiga. Os países não são citados, mas fica evidente que o submarino é americano, e as embarcações inimigas são soviéticas.

“A Canção do Cuco!” –  texto de Francisco de Assis, layout de André Paroche, e Arte de  Colonnese – Aqui temos o relato de um confronto entre soldados brasileiros e alemães em Monte castelo, no ano 1945. Na história um menino é utilizado para atrair os alemães para uma emboscada, apensar de serem estes a matarem a criança, o leitor não pode deixar de colocar em cheque a ética dos soldados brasileiros representados na história, já que são este que utilizam um menino para uma missão de emboscada, sabendo dos riscos que ele corria.

Combate nº 26 foi publicada em 1973, e desde então o mercado de quadrinhos mudou muito, infelizmente nem sempre para melhor, seria ótimo se tivéssemos mais quadrinhos de guerra disponíveis hoje. De preferência nas bancas de jornal, e com a qualidade da revista Combate.

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Prof. Dr.  Edgar Indalecio Smaniotto é Membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, e da Associação Brasileira de Estudos de Defesa – ABED.

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