Os Novos Porta-Aviões Britânicos

A revista Força Aérea (Editora Action nº 107) traz uma interessante reportagem intitulada “Os novos Porta-Aviões da Royal Navy” nesse texto é apresentado a nova classe de porta-aviões britânicos, cujo o HMS Queen Elizabeth é o primeiro a ficar pronto, e agora passará por dois anos de testes. O próximo será o HMS Prince of Wales. Cito abaixo, a partir da matéria, um trecho da entrevista do Comandante Simon Petitt: “No final das contas, como é que um país mostra que leva a sério os seus planos e ambições? Esta é a pergunta principal por trás de qualquer porta-aviões. Porque um navio-aeródromo suporta as palavras de seus líderes com uma presença incontestável – e, quando necessário, ações. Para dissuadir você precisa ter uma força crível”.

O comandante Simon Petitt tem total clareza, assim como sua nação, do tipo de poder que apenas um porta-aviões pode conferir a uma nação. Afinal foi o HMS Hermes, a frente da força tarefa britânica, que garantiu a vitória na Guerra das Malvinas, quando os argentinos foram derrotados, mesmo estando muito mais próximos do teatro de operações.

Atualmente, enquanto vemos os britânicos retomando um poder naval que não tinham mais desde os anos 70, o Brasil se encontra sem um porta-aviões operacional. O Minas Gerais a muito virou sucata, e o São Paulo foi desmobilizado. Assim, hoje o Brasil se encontra sem capacidade de projetar poder para além de sua plataforma continental, se tanto.

Mas precisamos de porta-aviões? Afinal os britânicos são uma potência imperialista, que apoia os Estados Unidos em diversas operações globais. Este não é o caso do Brasil. Correto! Mas se  Brasil almeja um lugar como uma potência ascendente regional, como outros membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será necessário ter capacidade de projetar poder. Possuir porta-aviões e submarinos com propulsão nuclear são indispensáveis para manter a segurança do mar territorial brasileiro, e se necessário empreender missões internacionais sob mandato da ONU, ou assegurar seus interesses econômicos e geopolíticos.

Para terminar está breve reflexão lembro o leitor da histórica “Guerra da Lagosta” (1963), quando pesqueiros franceses violaram o maior território brasileiro. Na crise que se seguiu a armada brasileira foi deslocada para enfrentar uma possível reação francesa, devido a expulsão de seus barcos pesqueiros. A armada brasileira não se encontrava em condições de enfrentar os franceses, a crise foi resolvida, mas tivéssemos uma guerra é provável que o Brasil, assim como os argentinos em 1982, tivesse sido derrotado.   É necessário então termos poder de dissuasão real: uma frota de pelo menos dois porta-aviões é indispensável para tanto. Esperamos que o Brasil retome o projeto de fabricação de seus próprios navios-aeródromo. Uma necessidade para o Brasil projetar poder para além de sua plataforma continental.

 

 

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